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O deus Cronos

28.02.2018

 

Cronos é um titã que se torna o senhor do céu após destronar seu pai Urano.

 

Os titãs nasceram de Urano (céu)  e de Gaia (terra).  Eles eram seres híbridos,  nenhum era humano por completo,  todos tinham o poder de se transformar em animais. São os ancestrais dos deuses do Olimpo e também dos mortais.

 

Cronos é o deus que devora ao mesmo tempo que gera. Assim que seus filhos saem do ventre da mãe Gaia são devorados por Cronos que teme perder seu trono para algum de seus filhos. Cronos é o devorador do destino.

 

É também o deus da agricultura; há o tempo para plantar e o tempo para colher.

 

É o deus  que controla o tempo desde o nascimento até à morte.  Ele é cruel,  escraviza os seres dentro de seu tempo, nos  mantém na sensação  do tempo que passa e se perde. Em nossa sociedade sente-se profundamente isso, porque vivemos enquadrados nas horas contadas do relógio, encaixados nas expectativas sociais e nos perdendo de nós mesmos.

 

Aqui pode-se  vislumbrar  a saga das  repetições,  Urano temia ser  destronado por um  de seus filhos,  o mesmo temor  se  mantém em Cronos. Quando Gaia liberta Cronos, este mata seu pai Urano com um golpe em seus testículos, libertando seus  irmãos aprisionados no ventre da mãe Gaia que sofria de dores terríveis por ter que manter os filhos em seu ventre.

 

Ao destronar Urano, Cronos une-se a sua irmã Réia. Por medo de ser destronado, devora todos os seus filhos, os mantendo vivos em seu espírito. Porém Réia, com a ajuda de Gaia, consegue salvar Zeus de ser devorado pelo pai, dando-lhe uma pedra no lugar do filho. Zeus cresce, e faz com que seu pai ingira uma bebida mágica que o faz vomitar todos os seus filhos.

 

E assim, Zeus expulsa Cronos do Olimpo e torna-se o deus dos céus e dos trovões, o deus dos deuses.  Ao derrotar Cronos (o tempo),  Zeus  torna-se imortal.

 

"Matar"  o pai tem uma simbologia de libertação para que se possa crescer e reinar.

 

Obviamente que o ato não tem que acontecer na realidade, é apenas simbólico.

 

Tornamo-nos adultos inteiros quando nos libertamos da dependência de nossos pais e na sequencia nos reconciliamos com eles.  A ruptura para  o crescimento não é o fim da jornada,  ao contrário,  voltar inteiro à origem é manter uma mente saudável e equilibrada.

 

Psicologicamente,  não aceitar os  pais dentro de si,  com todas suas qualidades e defeitos,  é rejeitar parte de si mesmo, originando inúmeros conflitos emocionais que impossibilitam uma vida plena.

 

A conciliação simbólica  não significa que se tenha que conviver com pai ou mãe que geraram muita dor e sofrimento, significa integrar dentro de si mesmo a libertação da submissão, da autoridade e da dependência, para viver plenamente a vida adulta.

 

Assim como no mito, nós também continuamos lutando para vencer o tempo (Cronos), para não sermos devorados por ele. O tempo pertence igualmente a todos. O tempo não é inimigo, é aliado, quando nos relacionamos bem com ele. 

 

O tempo não pára nem pode ser prolongado, e cada um tem o seu tempo para se libertar das dependências.

 

A INDEPENDÊNCIA aliada ao CONHECIMENTO são o caminho da EVOLUÇÃO.

 

Silvia Marto

Mitoanalista e psicóloga clínica

www.silviamarto.com.br

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